Entrevista para o Jornal Folha Universal: O que é imagem profissional?

Entrevista para o Jornal Folha Universal: O que é imagem profissional?

Entrevista concedida ao Jornalista Eduardo Prestes do Jornal Folha Universal

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O que é a imagem profissional? Existe diferença entre imagem profissional e pessoal?

Imagem profissional é como as pessoas que convivem conosco no ambiente de trabalho nos enxergarão e isso tem a ver com a maneira com a qual nos expressamos, seja fisicamente, por meio do vestuário ou emocionalmente, por meio de palavras e ações.

Acredito que nos tempos atuais, ainda mais em um momento em que o home office está tão em alta, separar as duas imagens tenha muito mais um cunho didático do que prático. Somos aquilo que falamos, vestimos e como nos comportamos, de modo geral. Claro que, em determinados ambientes, estaremos mais ou menos relaxados, porém, não mudaremos significativamente a maneira de nos portarmos apenas por alterarmos o cenário. Estaremos mais ou menos descontraídos, mas não deixaremos de ser quem somos na essência.

Vale destacar que a imagem externa chegará primeiro e muitas vezes não teremos chance de causar uma segunda boa impressão. Isso deve ser levado em conta e temos que ter cuidado com a forma com a qual nos expressamos, usando de mais gentileza, cortesia e empatia.

Tenho um exemplo recente sobre isso, de uma cliente que conquistou uma vaga de emprego rapidamente, pois, havia sido bem recomendada pela postura profissional. Ela atendia muitos clientes e todos falavam bem, não apenas pelo seu conhecimento técnico, mas pela maneira com a qual se portava. Ou seja, ela deixou sua marca por onde passou. Mesmo quando não atendia os clientes em determinada necessidade, por uma limitação da empresa, do compliance ou outros motivos, ela sabia se expressar de forma a ser compreendida e eles se sentiam respeitados.

Qual a importância da imagem profissional para uma carreira bem-sucedida?

A maneira com a qual nos comportamos, como falamos e nos expressamos vai influenciar diretamente no sucesso profissional, pois, em um mundo tão globalizado é essencial estabelecer parcerias, criar alianças e ter bom relacionamento. Vemos algumas pessoas que tiveram menos formação acadêmica ascendendo na carreira mais rapidamente do que outras, justamente por que conseguiram estabelecer bons contatos, fazer a sua marca e deixar seu legado por onde passaram.

Obviamente, não é só a imagem que faz um bom profissional, mas, ela é parte do conjunto do sucesso.

Que fatores contam na construção dela?

A imagem é uma parte da carreira, ela compõe, junto de outros fatores, o profissional como um todo.

O mercado de trabalho valoriza pessoas que se valorizam, que buscam desenvolvimento, são proativas, produtivas, não culpam os demais por suas decisões e que agarram as oportunidades. Isso também faz parte da imagem profissional e constrói uma base sólida, que mostra ao mundo do que aquela pessoa é capaz. Claro que o discurso, os bons argumentos e a aparência têm que estar associados a bons comportamentos, pois, somos muito mais vistos pelo que fazemos efetivamente do que pelo que falamos que fazemos.

O profissional deve sim se preocupar com a sua qualificação técnica, estudo e dedicação constantes ao desenvolvimento dos conhecimentos profissionais, mas também ter ciência da importância de se desenvolver pessoalmente e buscar processos de autoconhecimento.

Ter um diploma pode ser importante, mas, não é suficiente, pois, é necessário atualizar-se constantemente, ser proativo, abraçar desafios e não ter medo do conflito, tendo diplomacia para resolvê-lo.

Apenas para exemplificar, em muitos países a pontualidade é vista como algo essencial na personalidade de um profissional. No Brasil, temos menos preocupação com isso, porém, esse ingrediente é importante no dia a dia das organizações, pois, mostra respeito com o tempo do outro.

Qual a diferença em como cada um se vê e como é visto pelos outros? O que conta para a definição real dessa imagem? Qual a importância do feedback dos gestores para essas informações?

Realmente muitas vezes, até por nossa própria culpa, passamos uma imagem errada de quem somos. Claro que não podemos controlar totalmente o que as pessoas pensam de nós, até por que cada um vê o mundo à sua maneira, de acordo com seus valores, mas, podemos definir, de forma real como você me pergunta, um jeito de nos colocarmos no mundo que minimizará possíveis erros de interpretação e isso se consegue desenvolvendo boa oratória, tendo fluência na comunicação, boa escrita, se portando com clareza, honestidade, ética e objetividade. Conluios, fofocas e conchavos podem parecer úteis em algum momento, mas são péssimos para a construção de uma boa imagem a longo prazo.

Questionários de avaliação comportamental, testes psicológicos e outras ferramentas mostrarão mais profundamente como é uma pessoa e como ela se relaciona com os demais, pois, o que veem de nós é apenas a superfície. Então, quando nos deparamos com alguém, temos também que estar cientes de que o que vemos é apenas a “primeira camada” e interpretações precipitadas podem estar erradas.

Dessa maneira, feedbacks sobre o comportamento e a postura, sempre relacionados ao trabalho e trazendo exemplos práticos do dia a dia do profissional são essenciais, pois, mostrarão quais pontos se pode aprimorar e quais reforçar. Quando falamos de uma equipe de trabalho isso é essencial, já que são várias personalidades se relacionando, tendo que produzir, superar metas e entregar resultados.

Evoluímos muito mais rapidamente com feedbacks sinceros, respeitosos e que direcionam a nossa atuação. Não há mais como termos no mundo líderes que não se preocupem em se desenvolver primeiro e depois em desenvolver seus liderados.

Então, usar a ferramenta do feedback de forma justa e com fins de evolução é primordial.

Há pessoas que aparecem melhor do que outras e têm menos conteúdo? O contrário também acontece? Por quê?

Vejo, por exemplo, em pacientes que atendo, o quanto a timidez pode atrapalhar no momento da “venda” da imagem profissional, o chamado “marketing pessoal”, que é a forma com a qual atribuímos valor à nossa imagem, potencializando nossos pontos fortes, conquistando admiração e respeito dos demais.

Algo que também dificulta é o fato de as pessoas se conhecerem muito pouco, não sendo capazes de dizer do que gostam, o que querem para o futuro e qual o propósito de suas vidas. Dessa forma, devemos buscar por processos de autoconhecimento para compreender melhor as potencialidades e aprender a vender o trabalho de maneira ética e assertiva em um processo seletivo. Para isso existem os treinos de entrevistas.

Há pessoas que conseguem falar melhor de si, ressaltando suas características positivas e isso vai chamar a atenção dos demais. Justamente por ser colocarem de maneira mais ativa, conseguem falar melhor de si mesmas. Aliado a isso, uma autoconfiança elevada ajuda e é importante entender que ela pode ser desenvolvida; não é preciso nascer autoconfiante, é possível desenvolver essa habilidade.

Porém, vale lembrar que se nos atentarmos apenas à primeira impressão, poderemos perder a chance de conhecer e até mesmo de contratar alguém muito bom apenas por que essa pessoa teve dificuldade de vender a sua imagem.

Em um processo seletivo, por exemplo, o Recrutador deve se preocupar em pedir exemplos reais que traduzam comportamentos em situações, para poder entender como cada um se porta e como enfrentaria determinada questão. Isso para minimizar erros e não ficar apenas com a primeira impressão. Por isso existe a modalidade de entrevista por competências.

É possível fazer uma auto avaliação para saber se a imagem que a pessoa tem de si condiz com a realidade?  

Sim, claro, é possível avaliar se a imagem que passamos condiz com a que queremos transmitir. Tanto por meio da consultoria com profissionais que são experts nessa área quanto perguntando e pedindo feedback aos colegas, amigos, líderes. Aliás, não é apenas possível como importante fazer a checagem se a maneira como nos comportamos está alinhada àquilo que queremos transmitir. Cercar-se de pessoas honestas, que queiram verdadeiramente ajudar, fará a diferença para aprimorarmos a maneira de agir e de se relacionar, mudando o que julguemos necessário.

Vale ressaltar que temos que nos sentir confortáveis, não alterando todo o nosso modo de agir para agradar os demais, mas sempre com fins de melhoria, evolução e aumento da felicidade. Ser o que o outro quer não é o que indico, mas aprimorar o que já temos de bom, adquirir novas competências e características que nos farão ter mais sucesso na carreira e na vida. Hoje temos à mão muitas ferramentas que apoiam no autoconhecimento e elas devem ser exploradas visando facilitar e não criar um eu completamente desconectado de nossa essência.

Por que é importante equilibrar o máximo possível essa visão? Qual é a real importância de construir uma boa imagem profissional e como construí-la?

Para termos sucesso nossas escolhas têm que estar alinhadas aos nossos valores e seremos mais felizes se formos genuínos, ou seja, se apresentarmos verdade em nossas ações e fala. Se estivermos desalinhados em relação à imagem que queremos mostrar e aquilo que veem de nós, passaremos uma impressão falsa, descolada da realidade. Somos diferentes uns dos outros e essa é a beleza da vida!

Dessa forma, ser verdadeiro primeiro consigo próprio e depois alinhar essa imagem ao que queremos que vejam em nós, é essencial. Assim, passaremos autenticidade e seremos vistos como únicos, seja na carreira ou na vida pessoal. O segredo aqui é ser verdadeiro e não criar uma imagem fake que rapidamente desmoronará quando formos confrontados com a realidade.

Para isso dou o exemplo de um líder de equipe que diz uma coisa, mas, pratica outra. Pode demorar um pouco, mas, todos ao redor, em algum momento, perceberão que não há congruência entre fala e ação. Dessa maneira o líder perderá a credibilidade e a confiança do seu time.

Como a aparência, vestuário, linguagem corporal e formação contribuem para mostrar quem somos profissionalmente?

Temos que olhar sinceramente para nós mesmos e perguntar: que imagem quero passar? Quem sou na essência combina com essas roupas, esse linguajar, esses modos? Estamos num momento de mais liberdade no vestir e falar, mas nunca sairá de moda a verdade e a autenticidade. Podemos perguntar para pessoas que confiamos se nossa maneira de agir está transmitindo a imagem que queremos passar.

É importante também fazer uma autoanálise sobre como temos nos portado, pois, certamente nossa forma de vestir, falar e se comportar será vista em primeiro plano.

Sempre é tempo de mudar, investir em nós mesmos, fazer cursos, conhecer pessoas, estabelecer mais parcerias, fazer networking. Podemos, inclusive, encontrar modelos, ou seja, há alguém em minha área de atuação que tem sucesso e que eu possa perguntar o que ela fez para chegar até aqui, espelhando as suas ações? Não aconselho que copiem, mas que modelem, que percebam como o outro conseguiu alcançar sucesso com a sua verdade para poder analisar como é possível aplicar isso no dia a dia.

Temos inúmeros exemplos de pessoas bem-sucedidas que são genuínas e autênticas. Nelas podemos nos espelhar para alcançar, com nossa própria personalidade, o sucesso na carreira.

Quais aspectos precisam ser colocados em prática para quem quer valorizar a sua imagem? Existe algum passo a passo para isso?

A expressão “menos é mais” deve ser levada em consideração aqui. Não adianta mostrarmos extravagância no falar, vestir e se comportar, se nossa personalidade for mais introvertida. Ser genuíno é a chave, pois, poderemos mostrar quem somos se nossas ações estiverem verdadeiramente alinhadas inicialmente aos nossos valores e depois à nossa fala.

Uma boa imagem profissional não está vinculada apenas à boa aparência, mas à verdade, como citei anteriormente.

Passo então algumas dicas que podem ser facilmente aplicadas no que diz respeito à transmissão de uma boa imagem profissional:

  • Cuide da sua saúde e aparência: pratique atividade física, faça exames de rotina, se alimente bem, cuide dos seus dentes e sorriso. Isso vai demonstrar aos demais que você se preocupa consigo, que se ama, afinal, todos gostamos de ver à nossa frente pessoas bem cuidadas. E isso não precisa custar caro, com os recursos que temos podemos nos cuidar e transmitir uma imagem positiva, sem exageros. Gostando ou não, aparência é cartão de visitas!
  • Seja feliz e espalhe bom humor: não há nada pior do que estar cercado por uma pessoa que só reclama, faz fofoca e fala mal dos demais. Todos preferimos estar ao redor de alguém que transmite alegria e que vive a vida de maneira leve.
  • Comunique-se bem: falar bem, ser claro, honesto, justo e transparente na comunicação é um grande passo rumo à autenticidade e à construção de uma imagem profissional e pessoal positivas. O modo como nos apresentamos transmite a informação de quem somos. Postura, desenvoltura e assertividade fazem com que uma pessoa se destaque no mercado de trabalho. Ser natural, olhar nos olhos do interlocutor, ser sincero e garantir fluência na comunicação são conquistadas por meio do hábito da leitura, da prática da oratória e do autoconhecimento.
  • Seja educado, gentil e humilde: ser arrogante, tratar os demais com superioridade, não ser cordial, isso não combina com uma boa imagem. Para demonstrá-la de forma positiva, é importante desenvolver o trabalho em equipe, a boa convivência, saber respeitar quem pensa diferente e espalhar harmonia. Ser humilde é ser elegante, saber se desculpar quando necessário, assumir que não sabe sobre algo e agir de maneira modesta fará com que a pessoa se destaque por quem verdadeiramente é, não por uma imagem falsa de quem gostaria de ser.
  • Desenvolva autoestima e autoconfiança: preocupar-se com a aparência não é somente colocar roupas bonitas, gravata ou sapatos de salto alto, mas demonstrar confiança por meio da forma com a qual nos portamos. Além de se vestir bem, mostrar que confiamos em nosso potencial e que reconhecemos nossos valores contribuirá para a transmissão de uma imagem positiva. Com isso, nossa personalidade aparecerá em primeiro plano e de forma adequada.
  • Invista em sua qualificação: isso não se consegue apenas por meio de cursos caros ou de longa duração. Parar no tempo, não abrir a mente para novos conhecimentos e ficar estagnado atrapalha não apenas a imagem pessoal e profissional, como a evolução na carreira. Em um mercado tão competitivo, as pessoas precisam se destacar por meio do seu diferencial, de novos e atualizados conhecimentos. Quem fica parado passa aos outros a impressão de preguiça e falta de cuidado.
  • Seja um bom ouvinte, desenvolva a empatia e a escuta ativa: isso também faz com que o profissional seja visto como diferente, o que contribuirá para o desenvolvimento de uma boa imagem. A correria no dia a dia faz com que as pessoas se afastem, falem demais e ouçam de menos, estejam sempre ocupadas e desatentas. Por outro lado, quando nos deparamos com alguém que se preocupa genuinamente conosco, essa pessoa se destaca e marca nossas vidas.
  • Cuide de sua imagem nas redes sociais: em tempos de tanta polarização, cuide de como se apresenta também no mundo virtual. Mantenha coerência entre o que escreve e pratica. Hoje em dia, rapidamente fazemos uma busca na internet e localizamos muitos dados sobre uma pessoa e por isso o cuidado deve ser redobrado. Pense antes de postar, evite compartilhar informações polêmicas e preze pela educação, cortesia e gentileza, aproveitando os espaços virtuais para estimular boas relações e trocas saudáveis, se posicionando com clareza.

Link para a matéria: https://www.lucianevecchioconsultora.com.br/evento/entrevista-para-o-jornal-folha-universal-o-que-e-imagem-profissional/13

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Luciane Vecchio
Psicóloga Clínica, Especialista em Desenvolvimento Humano, RH, Carreira, Liderança, Executive & Life Coaching, Colunista de Carreira & Comportamento
CRP: 06/74914



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Luciane Vecchio

Autor: Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento. CRP: 06/74914

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