Me sinto oprimida e culpada por não querer ser mãe agora!

Pergunta de uma leitora: Estou com 28 anos e me sinto indignada em relação à maternidade e carreira ser um dilema na vida da mulher. Sou fotógrafa, tenho mil projetos na cabeça e meu namorido, mais velho que eu (40 anos), me cobra ter um filho. Além da indignação com isso, sinto me oprimida e com um sentimento de culpa. O que a senhora me aconselha?”   

Resposta: Entendo e sou empática ao que descreve! Talvez você possa não ter se dado conta, por estar diretamente ligada à situação e emocionalmente envolvida, mas, cabe a você a decisão de continuar se torturando com isso, abrir mão do relacionamento ou ainda ter um filho com seu namorido. Ou seja, fique calma, respire fundo e tenha certeza de que está com as rédeas dessa decisão em suas mãos!

Na verdade, toda escolha precisará que você acabe abrindo mão de algo, nesse caso específico.

Para te ajudar, peço que liste prós e contras de cada uma dessas escolhas e verifique, de peito aberto, o que mais te agrada e desagrada nesse momento. Não se julgue, analise como se estivesse respondendo a esse questionamento para um terceiro, não para você. Se uma amiga querida pedisse ajuda, o que você diria a ela, sinceramente e no intuito de apoiá-la?

Recentemente, no consultório em que atendo como Psicóloga Clínica, vi a situação de uma pessoa que há 11 anos estava com outra e era justamente esse o dilema. Ela não queria filhos, ele queria muito. Ela tem certeza de que não quer e ele tem certeza de que quer. Amigavelmente, chegaram à conclusão de que o melhor seria então serem apenas bons amigos.

Acredito que a pressão que você está sentindo, muitas pessoas ainda sentem, até por que não é fácil abrir mão de um amor, no seu caso, do seu companheiro e até mesmo do lado dele, de um filho. E não estou dizendo que tem que se separar, ser mãe ou fazer qualquer outra escolha motivada pelo outro, pelo externo. Mas, que consiga pesar a situação de acordo com os seus próprios critérios e valores.

Não é uma decisão simples. Te entendo.

Por outro lado, vemos o exemplo de muitas mulheres que são mães, empresárias, fortes, ativas e que produzem e usam seu tempo com maestria. Então, ter um filho as fez ainda melhores. Que tal buscar conversar com algumas delas e ver como reagiram a esse dilema?

O que não quer dizer que você seja obrigada a exercer a maternidade, ela é uma escolha como tantas outras na vida. E isso tem que deixar de ser um tabu, as pessoas não têm obrigação de serem mães, pais ou qualquer outra coisa nesse sentido.

A questão aqui é que você tem sentido culpa e isso é que deve ser melhor investigado, afinal, ela provavelmente está sendo sua inimiga e não te permitindo decidir racionalmente. Compreendida e tratada a causa raiz da culpa, certamente você viverá melhor com sua escolha, seja ela qual for.

Penso que não deveria se preocupar tanto com a cobrança da sociedade, afinal não é ela quem vai criar seu filho, mas sim com seus sonhos, desejos e projetos futuros.

Viaje para o futuro e pense em você hoje. Com a maturidade dos 38 anos, com qual das decisões você se sentiria mais confortável? Faça uma visualização e um exercício de pensamento: como eu quero estar em 10 anos, como estarei, efetivamente, com e sem um filho? Quais objetivos de carreira eu tenho e, com 38 anos, como me vejo na cena dessa realização? Visualize tudo, seu corpo, suas atitudes, seu caminhar, você com e sem um filho. Como se sente em cada uma das situações, como se vê com suas escolhas de carreira em andamento, conquistas realizadas e com outras a realizar?

Toda decisão que você tomar nesse aspecto tem que ser bem planejada para que você tenha segurança e minimize essa sensação ruim de culpa e, principalmente, também não culpe o outro, o externo, o mundo, por uma eventual escolha que considere errada no futuro.

Tenho certeza de que se você se conhecer um pouco melhor, passando por um processo de autoconhecimento, sua decisão poderá ser baseada em quem você é de verdade, em suas vontades, respeitando a sua individualidade.

Peço que leia esse artigo que escrevi com carinho! Espero que te ajude um pouco mais a compreender seus sentimentos: https://www.lucianevecchioconsultora.com.br/psicologia-comportamento/sentimentos-negativos-sao-mesmo-ruins-e-o-que-isso-tem-a-ver-com-a-minha-carreira/107

Sucesso!

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Luciane Vecchio
Psicóloga Clínica, Master Coach, Especialista em RH, Carreira, Liderança, Executive & Life Coaching, Colunista de Carreira & Comportamento
CRP: 06/74914

Luciane Vecchio

Autor: Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento. CRP: 06/74914

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