Não quero voltar ao escritório!

E-mail enviado por uma leitora:

“Entendia como tóxico o ambiente em que trabalhava. Isso diminuiu com o home office. Mas em algum momento, terei de voltar ao escritório, quando essa pandemia diluir ou acabar. Essa ideia em deprime. O que a senhora me aconselha?”    

Resposta:

 O que te impede de mudar?

A questão mais importante nisso tudo é pensar por quais motivos você permanece atuando em um local que lhe faz mal já há algum tempo.

O que te impede, antes e agora, de buscar um local menos pesado, com melhores colegas, um líder mais parceiro, setores mais engajados?

Sim, todo lugar tem problema, é o que quem está lendo deve pensar, mas, muitas empresas são mais bem estruturadas e têm programas na área de RH com foco no desenvolvimento de competências sociais. Ou seja, muitas organizações já se preocuparam em implantar medidas para o aprimoramento dos relacionamentos.

Sendo assim, respondendo à pergunta, aconselho a fazer uma lista de prós e contras, do que te prende, te mantém nesse local e dos benefícios que teria ao sair.

De posse disso, faça outra lista com todas as ações que pode tomar que dizem respeito ao passo a passo que tomará para sair desse cenário. Elabore estratégias, prazos e coloque em ação. No home office isso é ainda mais fácil.

Faça listas e visualize cenários

Se a sua lista de pontos positivos for maior, talvez você consiga desenvolver mecanismos para lidar com isso. Caso contrário, é hora de arregaçar as mangas e pensar que a responsabilidade pela mudança está em suas mãos, assim como a decisão de ficar ou sair desse local tóxico.

O que o mercado tem pedido em sua área? O que as empresas têm solicitado nos perfis de vaga?

Quais são as competências técnicas e comportamentais que você tem e não tem e como pode desenvolver as que não tem e aprimorar as que já possui? E como buscará apoio para fazer isso?

Entendo que quando estamos inseridos na situação, é difícil pensar que há solução, mas, creia, muitas pessoas mudam a todo tempo de local, de ideia, de empresa. Simplesmente por que entendem que podem mais, merecem mais, devem parar de se torturar e assumem as rédeas de suas decisões.

Parece que não, mas, a decisão de permanecer vivendo isso está totalmente debaixo do seu controle. Com planejamento, assertividade, foco e perseverança, você pode mudar, fazer um novo currículo, repaginar seu linkedin, começar a mostrar o seu perfil para o mercado e virar esse jogo!

Se você decidir ficar ou se encontrar em sua vida uma situação desafiadora, seguem algumas dicas para manter o equilíbrio emocional no trabalho!

1. Concentre-se nas metas que deseja alcançar nos próximos 3 meses em relação à carreira e vá dando sequência nesta atividade, pensando em 6 meses, 1 ano, 5 anos. Ter esta organização fará com que os medos tenham o tamanho certo e o estresse poderá ser melhor controlado, pois, você conseguirá estabelecer pequenos passos para chegar aonde deseja. Esta atitude reforçará a sua determinação, autoconfiança e foco, aumentando a força que precisa para lidar com a ansiedade.

2. Busque formas (seja terapia, coaching, mentoria ou outras) para desenvolver autoconhecimento. Dessa maneira, suas escolhas estarão mais alinhadas aos seus valores. Autoconhecimento também permite que se treine os pensamentos, reforçando imagens e conceitos mais positivos. Dessa maneira, lidar com os colegas mais difíceis, as situações mais complexas, o chefe estressado e a grande demanda de trabalho, ficará mais fácil. Quanto mais a inteligência emocional é desenvolvida, mais seguro você se sentirá para conduzir a vida!

3. Reveja quais crenças limitantes e emoções mal resolvidas estão te paralisando e quais conceitos precisa mudar para ser mais feliz no trabalho. Repense sua trajetória, assim, será mais fácil não se acomodar e se entregar ao estresse.

4. Encontre seu propósito para que sua motivação seja renovada diariamente, afinal, quando sabemos aonde queremos chegar e vemos sentido na vida, o caminho fica mais leve. Algumas pessoas estão infelizes, pois, se acomodaram na situação de trabalho atual e estão sem perspectivas de crescimento e desenvolvimento. Não se feche, expanda a sua visão de mundo!

5. Se reinvente, usando as dificuldades como degraus para exercer a criatividade; encare as mudanças como algo positivo. Tire projetos da gaveta e do papel, busque parceiros e apoio. Sempre digo que não há só o plano B, mas um alfabeto todinho à disposição!

6. Cuide de si mesmo, comece aquela aula de yoga, a caminhada no bairro, o grupo de dança, o pilates, a corrida. Supere os primeiros dias e a preguiça, quando você começar a colher os benefícios nunca mais vai deixar de olhar para si mesmo! Cuidando de si mesmo, da alimentação e da mente, o estresse ficará controlado e certamente isso se refletirá no seu comportamento no trabalho e na carreira, em geral. Quando nos amamos, conseguimos lidar melhor com os períodos difíceis.

7. Estabeleça alianças e parcerias no trabalho, pessoas que possam te ensinar, apoiar e com as quais você consiga trocar ideias e ser “alimentado”.

8. Aprenda, definitivamente, a negociar e a não fugir de conversas difíceis. Desenvolver essa competência lhe fará avançar alguns passos no dia a dia do trabalho, agindo de maneira mais tranquila, controlando a ansiedade que toda a carga de trabalho traz.

Sucesso!

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Luciane Vecchio
Psicóloga Clínica, Master Coach, Especialista em RH, Carreira, Liderança, Executive & Life Coaching, Colunista de Carreira & Comportamento
CRP: 06/74914

 

 

Luciane Vecchio

Autor: Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento. CRP: 06/74914

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