Como fazer networking no isolamento social?

E-mail enviado por uma leitora: Como fazer networking no isolamento social? As pessoas já estão “entupidas” de tantas informações recebidas online e uma das atividades que faço por este meio é o networking. Não quero me tornar uma chata. Mas há algum modo de se fazer networking sem ser inoportuna e ao mesmo tempo ser notada?   

Resposta:

Acredito que se você já faça networking, compreenda as técnicas mais modernas para esse fim. Sendo assim, esse momento será só uma questão de adaptação, pois, na verdade, tudo já está sendo feito de maneira on-line há muito tempo, tendo apenas se intensificado por causa da pandemia. Antes, já fazíamos contatos e nos comunicávamos pelo WhatsApp, por exemplo, muito mais do que pelo telefone.

O networking que não é chato é aquele que não apenas pede algo, mas que se antecede, oferecendo alguma coisa. Se preocupar genuinamente com o outro é uma maneira simples, mas, pouco praticada quando pensamos em networking.

Escutar para verdadeiramente ouvir, sem julgar, compreender as necessidades do outro; essas palavras são usadas como dicas para mantermos bons relacionamentos em geral e o que devemos compreender é que elas também podem ser praticadas para gerar uma rede forte de relacionamento profissional.

Muitas pessoas reclamam, por exemplo, daquela pessoa que só se lembra da outra quando fica desempregada, entrando em contato apenas nesse momento, não tendo alimentado essa relação durante todo o tempo em que esteve ativa no mercado de trabalho. A verdade é que o networking é uma relação que vai sendo construída aos poucos, de parceria, apoio mútuo, troca e gentileza. Não é algo que desenvolvemos da noite para o dia ou de maneira forçada.

Na atualidade, com a correria e o aumento da individualidade, as pessoas estão cada vez mais distantes umas das outras e precisamos voltar a praticar a teoria do “givers gain”, ou seja, a recomendação mútua de referências de negócios e a troca sem o intuito de apenas ganhar algo, mas de oferecer primeiro. Pode parecer estranho, mas, quando primeiro nos preocupamos com o outro, passamos a marcar a sua vida de uma maneira única.

Certamente não seremos chatos se soubermos primeiro sobre aquela pessoa, do que ela necessita e como podemos ajudar.

Pense nessa situação: no momento em que você mais precisa de algo, chega uma pessoa que você conhece e oferece essa ajuda! Certamente ela ficará marcada em sua memória e você desejará retribuir esse favor, de maneira espontânea, sem pressão. Esse “ajudador” vai ser lembrado quando você, por exemplo, precisar do serviço que ele oferece ou ainda quando lhe pedirem uma indicação. Atos de ajuda geram espontânea gratidão!

Indicações, recomendações, referências, fazem parte de uma relação bem construída, em que as pessoas vão se lembrando umas das outras quando necessitam de um serviço, produto ou negócio.

A maior parte das pessoas conhece a palavra networking, mas, poucas a praticam de verdade ou sabem como fazê-la. Penso que a maneira de nos relacionarmos nos últimos meses passou a ser temporariamente totalmente on-line, mas, com o tempo, haverá um retorno dos encontros presenciais e mesclaremos aquele café com uma fatia de bolo ou um pão de queijo numa padaria gostosa com colegas, potenciais clientes, parceiros de negócios... poderemos voltar a fazer convites e olhar no olho.

Claro que, por enquanto, com o distanciamento social, tudo está tendo que ser reinventado. Mas, as relações, sejam por meio de mensagens, vídeos ou ainda presencialmente, acontecem para muito além disso tudo.

Empreendedores têm dificuldade em formar uma rede de contatos por não saber como fazer isso ou por ficarem constrangidos com a situação, se sentindo expostos. Aqueles menos tímidos acabam se arriscando, mas, às vezes, sem um método claro. Profissionais CLT começaram a entender a importância do networking há pouco tempo e muitos nem mesmo sabendo disso o praticam diariamente.

Daqueles que conseguem causar uma boa impressão, poucos realmente são capazes de levar adiante um relacionamento que possa ser chamado de networking. As pessoas pensam que networking é apenas fornecer o seu telefone, e-mail e endereço fiscal e pronto, a relação magicamente estará feita! Se pensarmos mais amplamente, toda relação, mesmo as que não tem fins de networking, sobrevivem por que há ajuda mútua.

O que temos feito pelo outro? Que tal elaborar uma lista das pessoas com as quais tem uma boa relação, aquelas com as quais quer estabelecê-la e aquelas que desconhece, colocando ao lado do nome qual ajuda você poderia fornecer? Você poderá falar com algumas delas, retomar contatos e mostrar como pode apoiá-las. Depois disso, comece a pensar como essas mesmas pessoas podem lhe ajudar e encontre uma forma gentil, à sua maneira, de ofertar os seus serviços ou produtos.

Certamente, será mais fácil chegar aos demais assim do que entrando em contato logo de cara oferecendo seu negócio.

Stanley Milgram, nos anos 60 descobriu que as pessoas estão separadas, no máximo, por 6 outras. Então, de algum modo você pode chegar até aquele contato desejado fazendo, adivinhe, mais contatos! Vale lembrar que quantidade não é qualidade. Ou seja, é melhor alimentar algumas boas relações do que ter milhares de seguidores em uma rede social com os quais não se interage.

Atualmente, há diversos grupos de networking formais que estimulam a troca entre diferentes empresários. Você pode se associar a alguns deles e alimentar boas relações. Nesses times de trabalho você aprende a vender melhor a sua imagem sem precisar se sentir incomodando, por que a troca passa a ser natural.

Para desenvolver relações de confiança não devemos chegar a um novo contato já pensando em como ele pode nos ser útil, mas, ao contrário, como nós podemos fazer a diferença. Com esse comportamento, naturalmente afastaremos possíveis aproveitadores e desenvolveremos verdadeiros relacionamentos, de networking e parceria.

A receita não é tão complicada para ser colocada em prática, o problema é que em um mundo que estimula o individualismo, ela pode parecer estranha! Se desapegarmos de velhas crenças, conseguiremos avançar em nossa rede de relacionamentos e nos sentiremos menos solitários!

Pratica e depois me conta! Sucesso!

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Luciane Vecchio
Psicóloga Clínica, Master Coach, Especialista em RH, Carreira, Liderança, Executive & Life Coaching, Colunista de Carreira & Comportamento
CRP: 06/74914

Luciane Vecchio

Autor: Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento. CRP: 06/74914

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