Como lidar com tantos convites para lives?

E-mail enviado por um leitor: Não aguento mais receber convites para participar de lives. Colaboradores que prestam serviço para mim, agora no isolamento social, passaram a me enviar por WhatsApp e e-mail, e às vezes até de forma meio intimidatória, convites para assistir às suas lives. Nesse isolamento social, esta prática se tornou uma febre. Parece que as pessoas confundem conectividade com disponibilidade. A maioria é no final do dia ou à noite, momento inclusive que você está já meio de saco cheio e sem aquela vontade de fazer aquela  ‘atividade extra’.  Os convites são frequentes. Até agora tenho honrado a todos esses convites, até porque achei que isso seria uma coisa de curto prazo, mas parece que esse hábito vai se prolongar...  Penso que se faltar a esses “eventos”, posso ficar mal na fita com esses colaboradores. Como lido com essa questão?  Respondo as mensagens dizendo que “estarei lá” e simplesmente não apareço, este para mim parece ser o meio mais fácil, mas considero antiético. Dou uma filtrada, em algumas vou em outras não? Haveria uma justa medida para “faltá-las”?                          

Resposta:

Sempre digo aos meus clientes: as respostas são mais simples do que as perguntas! A verdade é que o controle dessa situação não está no externo, mas em você! A maneira como está encarando esses convites pode estar te deixando irritado.

Veja por esse lado: você é muito importante para essas pessoas, a ponto de todas fazerem questão de sua presença em seus eventos!

Claro que eu te entendo, pois, a febre das lives realmente se intensificou nessa pandemia e isso tem deixado algumas pessoas desconfortáveis. Confesso que eu mesma estava pensando em fazer algumas, mas, mudei o modelo para webinários em que os envolvidos podem participar, aprender e trocar conteúdo. Acredito que essa ideia, por si só, já deixe o ambiente mais leve, sem pressão.

Realmente acho complicado “dar o cano” em um convite já aceito. Porém, há uma maneira gentil de justificar as suas faltas, de dizer que não deseja participar, informando que vem recebendo muitos convites e tido pouco tempo para participar devido ao fato de ter outros compromissos, seu trabalho, família. Raramente uma pessoa não vai entender isso e se magoar com a recusa.

A questão de intimidarem é mais complicada, pois, você se sente preso por serem profissionais que prestam serviço e têm uma relação contigo. Com essas, tenha mais cuidado na recusa, mas, da mesma forma, é possível informar que naquela data, não tem disponibilidade.

Sugiro que faça uma agenda e verifique quais assuntos realmente despertam a atenção e que necessitam da sua audiência. Será que não tem algum pelo menos que seja verdadeiramente útil e aplicável? Em meio ao mar de lives, tem muita coisa bacana. Então, encaixe esses compromissos na sua agenda, sem atrapalhar o trabalho e o descanso.

Penso que vale a pena aceitar alguns convites, até mesmo por estratégia de negócios, pois, amanhã pode ser você precisando de algo desse parceiro e gentileza gera gentileza. Em algum momento, sempre precisamos retribuir favores. E não digo isso como uma coisa pesada ou carregada negativamente, mas sim, lembrando que somos seres em relação e não vivemos sozinhos ou numa bolha.

Dependendo do cargo, da área que você atua, naturalmente vai receber mais convites e precisará ponderar suas prioridades. Mas, faça isso de maneira natural, sem se culpar ou fazer dessa situação algo ruim.

Com tanta tecnologia ao nosso dispor, realmente a conectividade passa a ser confundida com disponibilidade, como você cita! Porém, a tecnologia está presente há bastante tempo, muitas pessoas e empresa já faziam lives antes da pandemia. Recentemente, isso aumentou, muito mais por que mudamos nossos hábitos, temporariamente, do que por outros motivos. Passamos a ficar mais tempo conectados e percebendo mais esses movimentos do que quando tínhamos mais liberdade para viver a vida fora de casa. Mudamos a forma de consumir, inclusive. Intensificamos alguns hábitos, abandonados temporariamente outros.

As pessoas começaram a se sentir mais sozinhas, desejando evitar entrar em contato, muitas vezes, com seus próprios fantasmas e isso fez com que buscassem no externo (ainda que virtual), companhia. movimento e aceitação.

Tenho uma amiga que coloca em seu status a frase: “estar on-line não significa estar disponível”. É, pelo jeito ela teve muita cobrança sobre o retorno das ligações, e-mails e etc., simplesmente por não atingir às expectativas dos demais. O simples fato de estarmos on-line no celular já é motivo para pensarem que estamos disponíveis e isso realmente pode ser um problema para pessoas mais introspectivas, tímidas ou para as que tem dificuldade em dizer não. A verdade é que a questão de saúde física trouxe à tona diversas outras, de cunho mental.

Sabe, precisamos desenvolver sim a tolerância, mas também diminuir a culpa quando não somos como querem que sejamos. Se não pode ou não quer participar, tem o direito de dizer não, sem sofrimento e até mesmo sem justificativas. Aprendi ao longo da carreira lidando com pessoas que não precisamos nos justificar a todo instante para os demais, podemos continuar vivendo nossas vidas sem necessariamente explicarmos nossos passos. Às vezes vale mais o silêncio do que mil justificativas que, em alguns momentos, são até mesmo mal interpretadas.

Esses dias brinquei com um amigo: assim como a lambada (você é da época desse ritmo? rs) a moda das lives também vai passar! Um colega me disse: “coloco a culpa no wifi, digo que caiu a rede, desconecto de tudo e fico em paz”. É, cada um tem o seu jeito de lidar com os desafios...

Vamos nos reinventando, adaptando e vendo aquilo que serve ou não para a nossa vida. Sendo assim, veja aquilo que pode ser útil a você, em meio ao mar de lives e desconsidere aquilo que não lhe fará bem, seguindo sem culpa!

Depois me conta o resultado!

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Luciane Vecchio
Psicóloga Clínica, Master Coach, Especialista em RH, Carreira, Liderança, Executive & Life Coaching, Colunista de Carreira & Comportamento
CRP: 06/74914

Luciane Vecchio

Autor: Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento. CRP: 06/74914

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