Como não cair em "pegadinhas" nas entrevistas de emprego

E-mail enviado por uma leitora:

Gostaria de saber quais são as pegadinhas mais recorrentes feitas por recrutadores em entrevista para emprego para não cair em armadilhas e poder dar repostas menos óbvias e mais inteligentes. Caso possa citar exemplos do que a senhora entende por repostas inteligentes seria muito bom!   Não quero ser eliminada por conta de bobagens ou deslizes.

Resposta: Fico realmente muito preocupada quando vejo pessoas me fazendo este tipo de pergunta, pois, Seleção não deveria ser show de mágica, em que a gente tem que descobrir qual o segredo por trás do truque.

Ainda mais nos tempos atuais, em que se fala tanto da experiência do cliente, do candidato, do colaborador, a ideia é que a pessoa que está à frente do Recrutador é igual a ele, não havendo nível de superioridade e inferioridade, ou seja, posições privilegiadas, em que há alguém que escolhe e alguém que é escolhido.

Na verdade, um processo seletivo é a busca por um profissional que esteja mais alinhado aos valores, cultura e perfil de determinada empresa/área. Há um gestor precisando de um liderado em determinada posição/função, que exercerá determinada atividade e pessoas que darão “match” com a vaga. Este alinha o perfil da vaga, com o apoio da área de RH e a busca se inicia.

Sendo assim, não há certo ou errado, mas, perfis comportamentais mais ou menos condizentes com tal necessidade. Desta maneira, também não há personalidade certa ou errada! Muito menos respostas ideais, prontas e que tiramos da manga quando queremos conquistar um emprego.

Respostas inteligentes, portanto, serão aquelas alinhadas aos seus valores, plano de carreira, propósito e desejos de futuro. Afinal, você não conhece e não saberá profundamente o que a empresa busca, nos bastidores.

Veja, o candidato não deve se colocar como vítima ou numa posição passiva, afinal, também deve ser protagonista daquela escolha.

Sendo assim, seu papel é ativo, assim como o da empresa, representado na figura daquele Recrutador.

Os processos, em sua maioria, são baseados em entrevistas por competência, o que explico melhor no artigo abaixo. Por isso, não devem ser feitas perguntas que deem margem ao duplo sentido ou à interpretação errônea, mas, questões que visem conhecer mais profundamente da carreira e do comportamento daquele profissional. Desta maneira, não devem ser feitas “pegadinhas”. 

https://www.lucianevecchioconsultora.com.br/recursos-humanos/entrevistas-por-competencias-o-que-sao-aonde-vivem-do-que-se-alimentam-mordem-sao-perigosas-atacam-sem-motivos/93

Podem sim ser feitas questões que peçam do candidato habilidades de estratégia, visão sistêmica e jogo de cintura, que o façam se sentir em um cenário de tomada de decisão. Porém, isso não deve ser encarado ou usado com   intuito de “pegar o candidato no pulo”, deixando-o constrangido. Isso realmente não é produtivo e não leva a nada.

Infelizmente, há sim muitos profissionais despreparados, que não se desenvolveram no estudo do comportamento humano, fazendo entrevistas, como se qualquer pessoa simplesmente pudesse realizar este processo, sem nenhum preparo ou técnica. Lamento, de verdade!

Para que possa estar preparada para uma entrevista, há sim dicas importantes que devem ser observadas antes de participar de um processo e não ser eliminada por algum deslize que poderia ter sido evitado:

  1. Tenha certeza dos seus valores, conhecimentos, pontos fortes e a desenvolver e isso somente se conquista investindo no seu autoconhecimento diário;
  2. Vá preparada para uma entrevista, tendo previamente estudado a empresa, o segmento, negócio, concorrentes e o perfil divulgado da vaga;
  3. Analise se a vaga se adequa ao seu projeto de vida e se a cultura daquela empresa está alinhada aos seus valores;
  4. Faça um planejamento de carreira, não dependendo de que a empresa invista em você para evoluir, estude, busque, crie, inove, por si mesma;
  5. Esteja com seu material, CV e rede social, como LinkedIn, por exemplo, muito bem preenchidos, vendendo positivamente sua imagem, conhecimentos, perfil e projetos (resultados que entregou em cada empresa pela qual passou);
  6. Analise quais requisitos da vaga você atende e em quanto tempo conseguiria se desenvolver naqueles que têm menos conhecimento;
  7. Seja verdadeira, ética e honesta ao responder cada pergunta, evitando possibilidades de contradição;
  8. Acredite em você, denotando uma atitude positiva perante as perguntas, mostrando também interesse pela empresa e por conhecer mais das suas necessidades;
  9. Esteja certa de conhecer bem a sua carreira, motivos de saída das empresas, principais resultados, seu perfil quando atua em equipe e situações em que teve que ter jogo de cintura para se sair de um problema, por exemplo, usando resiliência e demais habilidades comportamentais;
  10. Seja você mesma, sempre. Recrutadores experientes conseguem entender quando uma pessoa está faltando com a verdade;
  11. Cuide da saúde mental e física!

 

Quem está preparado não precisa de sorte!

Sucesso!

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Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento

CRP: 06/74914

Luciane Vecchio

Autor: Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento. CRP: 06/74914

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