Inteligência emocional na prática!

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 “Um conceito que entendo até como desgastado é o de inteligência emocional. No entanto, tenho uma dúvida: pessoas bem-sucedidas prestam atenção às suas emoções ou para ser bem-sucedida, precisaria prestar atenção às minhas emoções? Enfim, na prática, como funcionaria isso?”

Resposta:

Inteligência emocional vem do autoconhecimento

Por mais que você entenda o conceito como desgastado, é fato que para ter sucesso, ser próspero e aguentar os trancos da vida, é necessário ter inteligência emocional.

E ela só é conseguida por meio do autoconhecimento. Não existe um checklist para que uma pessoa seja bem-sucedida, uma “receita de bolo” que já venha pronta e que basta colocar água e levar ao forno para ser feliz. Porém, conhecer a si mesmo é essencial para que uma pessoa saiba lidar com suas emoções, com o estresse do dia a dia, cobranças, responsabilidades e decisões.

A cada minuto, por mais que isso ocorra inconscientemente na maior parte das vezes, estamos tomando várias decisões: “Vou pela rua de cima que é mais rápido ou fujo dos faróis indo pela transversal?” “Falto à academia para lavar o cabelo antes de dormir ou acordo mais cedo para lavá-lo?” “Mudo de emprego e arrisco ou fico aonde estou por que o pacote de benefícios é bom?” “Empreendo ou continuo CLT?” “Compro brincos ou flores para minha esposa?”

Para cada ação tomada, quanto mais conhecimento sobre sua própria personalidade, mais rápido e certeiro será o tiro e teremos menos chance de errar, ainda que essas decisões envolvam outras pessoas e até mesmo, principalmente, quando envolvem, pois, quanto mais seguros estamos de quem somos, mais segurança passamos também aos demais, principalmente se somos líderes, por exemplo.

A inteligência emocional facilita a vida

Repare e modele as pessoas bem-sucedidas que conhece, elas sabem escolher com agilidade, pois, conhecem bem aquilo que gostam e o que não as faz feliz, por mais tentador que pareça determinada escolha ao outro. Essas pessoas sabem abrir mão de propostas que parecem tentadoras, investindo emergia no que realmente importa e as faz feliz.

Até mesmo quando erram – afinal, ter inteligência emocional não significa nunca errar – essas pessoas conseguem se levantar mais facilmente, aprender as lições e ver os problemas como possibilidades de crescimento e não como desgraças paralisantes.

Lembro-me do caso de uma paciente que atendi há uns 6 anos e que ficou em terapia comigo por 2 anos. Ela queria se conhecer melhor e saber quem realmente era, se aquela personalidade havia sido construída em cima dos seus próprios valores ou de sua família que era toda formada por empreendedores.

Ao longo do processo, ela percebeu que escolheu a carreira que havia praticado a vida toda apenas para se afastar do que todos da família faziam, somente para se rebelar contra o que acreditavam que era bom para ela.

Ela era feliz com o que fazia, mas, queria muito mais...

O autoconhecimento a ajudou a aceitar seus verdadeiros desejos

Essa paciente que fazia terapia psicológica comigo, que vou chamar de M, logo no começo do processo terapêutico, engravidou e decidiu que faria algumas mudanças em sua vida, sendo uma delas, em comum acordo com o esposo, parar de trabalhar por alguns anos.

Com o tempo passando e com o processo de autoconhecimento acontecendo, ela entendeu que cuidar do negócio da família, junto dos irmãos, poderia ser algo prazeroso, que lhe traria liberdade e felicidade.

A cada dia mais, ela percebia que aquele novo projeto estava muito mais alinhado aos seus valores, gostos e desejos, bem como ao que planejava para a família e filhos, do que ela imaginava antes e até mesmo do que se permitia imaginar, afinal, havia se afastado da possibilidade de empreender para se rebelar do modelo que a família achava certo para todos ao redor.

Encarar essa mudança só foi possível, pois, ela aceitou se conhecer, desmistificar algumas coisas, deixar outras de lado e aceitar que poderia ser feliz com a nova vida escolhida, incluindo uma mudança de estado.

Sem saber quem somos ficamos na superficialidade

M. era feliz fazendo o que antes exercia, como CLT, e não havia nada de errado nisso. A questão é que somente quando ela se permitiu conhecer mais a si mesmo, suas origens, possibilidades e novos caminhos, foi que as coisas começaram a verdadeiramente fazer sentido e um ciclo pode se fechar.

Uma outra cliente do programa de desenvolvimento de lideranças que conduzo, que chamarei de Z., tinha muitos problemas com a futura equipe que assumiria – e da qual fazia parte como par de trabalho – e me procurou para desenvolver as competências necessárias para ser uma boa líder.

Ao longo do tempo – ela também fazia terapia psicológica com outra Psicóloga – ela percebeu como viveu, por tantos anos, colocando suas emoções em uma caixa e fechando à chave, sem se envolver com elas, agindo apenas de maneira racional e fria.

Com os dois processos em paralelo, a terapia e o programa de desenvolvimento, ela pode aceitar aquilo que antes não queria ver, pode conversar com cada membro da equipe, desmistificar alguns conceitos, mudar outros e começar a ser quem nasceu para ser, abraçando seu proposito com mais tranquilidade.

Porém, ao longo de todo o processo, ela comentava o quanto aquilo doía e o quanto “começar a sentir” estava fazendo diferença na vida dela, que percebia muito mais não apenas a si mesma, mas, o quanto havia faltado de empatia ao lidar com os demais, afinal, na medida em que ela se afastava das suas emoções, se afastava também dos outros e sua complexidade.

Foi um processo doloroso, mas, muito enriquecedor e que a fez parar de viver a vida pela metade...

A vida passou a fluir muito melhor e ela compreendeu que, mesmo doendo, a inteligência emocional que desenvolveu não tinha preço!

Fim da história

Contei isso tudo para que você pudesse ver, na prática, como o desenvolvimento da inteligência emocional é importante, afinal, essas mudanças somente foram possíveis na medida em que as pessoas conseguiram verdadeiramente se enxergar melhor por meio do processo de autoconhecimento e com isso, conseguiram ser muito mais autênticas, exercendo a sua verdade em meio a tantas opções que a vida lhes deu.

Sendo ou não um conceito “batido”, é fato que para ter e manter a saúde mental em dia, faz-se necessário colocar na prática a inteligência emocional, até mesmo para se afastar de doenças como o transtorno de ansiedade e a depressão.

Quanto mais nos conhecemos, mais escolhas sábias fazemos, nos afastando das ciladas e nos aproximando da nossa verdadeira essência, sofrendo menos e curtindo mais a vida.

Sucesso!

 

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Luciane Vecchio
Psicóloga Clínica | Consultora | Mentora | Colunista | Especialista em Desenvolvimento Humano, RH, Empreendedorismo, Carreira e Liderança | Atendimento a Executivos | Revisão de CV e Perfil Campeão LinkedIn
CRP: 06/74914

Luciane Vecchio

Autor: Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento. CRP: 06/74914

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