Reclamar de sobrecarga de trabalho pode ser visto como preguiça?

E-mail enviado por uma leitora:

“Sou jornalista e trabalhávamos com uma redação completa com 45 pessoas, entre editores, repórteres, fotógrafos... Com essa crise, a Redação foi enxugada para 18 pessoas. Estou muito sobrecarregada, tenho que, além de ser Editora, ir a campo fazer matérias e até fotos. Gostaria de levar isso à Diretoria de Redação. Mas temo ser vista como preguiçosa ou desmotivada por reclamar da sobrecarga de trabalho. Como a senhora pode me ajudar?”

Resposta: Me alegro por você ter permanecido na empresa, mostra que se destaca como colaboradora, é capaz e eficiente. Por outro lado, abraçar várias demandas gera estresse e acabamos não conseguindo produzir com qualidade.

Infelizmente, quando estamos vivendo esta situação, acreditamos que se falarmos com nossos líderes, seremos vistos como frágeis, que não dão conta da carga de trabalho, são indispensáveis ou não se organizam como deveria.

Em alguns momentos você precisará começar a dizer não para algumas atividades, o que não mostra que você é incapaz, mas que é humana. Dessa maneira, você necessitará trabalhar internamente consigo mesma como lidar com essa frustração.

Como abordar a chefia

A maneira mais assertiva de levar isso à Diretoria é por meio de dados e fatos, ou seja, catalogar e mostrar a quantidade de tempo que tem usado para cada atividade e como isso tem sido desgastante. Demonstre que já reorganizou sua agenda e tempo, mas, que mesmo assim, continua sendo complicado lidar com toda a rotina. Mostrar que está sem um foco exato e como tem usado suas habilidades para desempenhar cada tarefa é importante.

Através de uma simples planilha, gráficos ou imagens, você terá condições de informar como o trabalho era distribuído e a quantidade de colaboradores que antes davam conta de tudo, além do que vem acontecendo no momento, em relação à sobrecarga de trabalho. Cronometre as tarefas e o tempo que tem levado com cada uma, reavaliando prioridades. Sugiro que não leve isso como uma reclamação, mas... como informação e possibilidade de melhoria. Coloque-se no lugar do líder e leve respostas, não problemas.

Mostre sua opinião sobre como a mudança deveria acontecer, visando o bem da empresa, setor e time. As tarefas podem ser remanejadas dentre os que ficaram? Podem ser contratados estagiários, assistentes, profissionais que no momento onerem menos a folha de pagamento, mas que também possam ajudar e aprender, serem desenvolvidos na empresa?
Leve os custos detalhados destes profissionais, faça uma pesquisa salarial e mostre à Diretoria a sua ideia de modo claro e atraente. Deixe claro que se importa com a missão da empresa e reconhece as suas necessidades.

Reúna-se aos outros

Pense também, junto dos seus colegas (afinal, deve estar apertado para todo mundo) quais seriam as melhores alternativas e sugestões, para que possam levar juntos essas ideias. Neste momento é importante você se utilizar das alianças que criou na empresa ao longo dos anos, não ficando somente com esta tarefa para você, mas dividindo os problemas e as possibilidades de solução.

Por fim, analise profundamente a sua carreira e quais são as suas possibilidades, se deseja permanecer ou realizar uma mudança e como isso pode começar a ser planejado e pensado para o futuro.

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Luciane Vecchio
Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento
CRP: 06/74914

Luciane Vecchio

Autor: Luciane Vecchio

Psicóloga Clínica, Master Coach, Consultora de Carreira, Especialista em RH, Orientadora Vocacional, Colunista de Carreira & Comportamento. CRP: 06/74914

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